EDITORAS BOCCATO E GAIA LANÇAM O LIVRO “O BRASIL BEM TEMPERADO - NORDESTE”

 

     A publicação, que contou com o patrocínio da Nestlé, recorre a trechos clássicos da literatura brasileira e portuguesa, a músicas populares, a cordéis, mitos e fábulas, e contém lindas ilustrações

Só de folhear o livro “O Brasil bem temperado – Nordeste”, percebe-se o cuidado que as autoras Ana Cecília Nigro Mazzilli Xavier de Mendonça e Fátima Helena Leime Sciarretta tiveram com cada detalhe da produção. Trata-se de um verdadeiro livro de arte sobre receitas, mas não sobre receitas nordestinas. O Nordeste, berço da nossa nacionalidade, foi, sim, a ambientação escolhida para as deliciosas receitas dos cadernos das famílias das autoras — uma paulista de Caconde e a outra mineira de Araxá.

O livro celebra a cozinha brasileira vista no rico cenário cultural nordestino, valorizando os principais ingredientes de cada Estado da região. Tudo acompanhado por imagens primorosas que dão água na boca e enchem os olhos.

A obra cuida dos nove estados da Região Nordeste, trazendo inúmeras receitas de cada um deles, com informações detalhadas sobre o preparo e fotos dos pratos. Como exemplos, podemos citar o Pirão de mandioca com moqueca de peixe (Bahia) que, além da receita, conta curiosidades e a lenda indígena sobre a origem da mandioca — a mais festejada raiz brasileira; o Molho de tamarindo (Paraíba), que enaltece o fruto desta frondosa árvore, lembrada por um poeta da terra; o Bolo Maragogi (Alagoas), que homenageia o belo litoral norte do Estado, com o perfumado maracujá; o Bacalhau da “Terrinha” (Maranhão), que recorda a presença do colonizador português em São Luís — a “cidade dos azulejos”; as Orelhinhas (Pernambuco), que, na sua simplicidade, falam de perto do açúcar — este ingrediente histórico responsável pela instalação dos engenhos nas terras doces do massapê; a Lagosta do Manzuá (Ceará), que, na delicadeza de seu sabor, pede proteção contra a pesca predatória da lagosta; o Doce de limão (Piauí), que é uma das especialidades da doçaria piauiense; o Risoto Potengi (Rio Grande do Norte), que reverencia o camarão — o crustáceo que batizou os norte-rio-grandenses, ou seja, os potiguares; o Sorvete de mangaba (Sergipe), que nos apresenta a fruta-símbolo do Estado.

Destaque para os índices pacientemente elaborados, que facilitam a localização dos assuntos, considerando-se a grande quantidade de dados históricos e folclóricos encontrados em suas 198 páginas. Expressões populares, manifestações culturais, utensílios típicos, artesanato; sempre acompanhados de descrições objetivas. Tudo isso proporciona uma verdadeira viagem gastronômica e cultural pelo Nordeste. Um verdadeiro tempero para a cozinha e para a cultura.

Volta...